E quando as pessoas não querem se compor ou negociar?

blog 21A eleição pela via litigiosa sempre estará presente. Os conflitos existem e as pessoas podem escolher levá-los às últimas conseqüências, despendendo dinheiro, energia e saúde para obtenção de uma decisão. Ingressar com uma ação e frear toda e qualquer comunicação positiva, para construção de acordo é igualmente uma opção e, como sabemos, muito utilizada.

Por outro lado, os métodos que preconizam o diálogo e a construção do consenso igualmente representam opções, dentre um leque de possibilidades postas a serviço dos usuários.

É interessante observar que a neurociência não está ai para modificar essas opções, mas sim para nos auxiliar a compreender a razão pela qual muitas vezes os acordos não são alcançados ou melhores alternativas sequer são aventadas por pessoas envolvidas em conflitos, fazendo com que as demandas judiciais sejam vistas com a única porta possível para resolução das desavenças.

É um fato comprovado pela ciência: se uma pessoa entra em um módulo de autodefesa, por se sentir acuada, ameaçada, temerosa etc., seus recursos neurais serão diminuídos e a qualidade de tomada de decisões será empobrecida, portanto, todo o processo de interação negocial será prejudicado.

Às vezes, só a forma como uma pessoa se dirige à outra, como ela apresenta uma proposta já é interpretada como ofensiva pelo receptor da mensagem, bloqueando instantaneamente qualquer disposição para o diálogo.

Saber lidar com essas situações ou saber contorná-las será uma habilidade ou competência cada vez mais exigida dos operadores do Direito.

Portanto, ninguém jamais deverá ser forçado a realizar acordo, a compreender o outro. Será sempre uma opção. A grande questão é ter essa opção bem apresentada e esclarecida. Muitas pessoas deixam de realizar acordos e encerrar conflitos em virtude da falta de habilidade ou tato das pessoas envolvidas em todo o contexto.

Possivelmente, na grande maioria dos casos, a pessoa que propõe uma ação judicial o faz por não acreditar em outra possibilidade, vendo-se, assim, forçado a tanto. Igualmente que sofre uma ação judicial, acaba tendo que se defender por não antever outra alternativa.

Ambas as partes, nesse sentido, acabam sendo arrastadas a uma situação indesejada. Mas será que essa opção era realmente melhor? Será que esse conflito não poderia ter sido resolvido de outra maneira? Ou, mais que isso, era realmente necessário o conflito ter sido instaurado, lá em sua origem?

Possivelmente, uma melhor escuta, uma melhor comunicação, um alinhamento de expectativas e necessidades poderia ter feito toda a diferença.

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