O que é Mindfulness?

A palavra Mindfulness significa atenção plena, mente alerta ou consciência plena. É uma técnica que oferece um conjunto de ferramentas práticas e teóricas baseadas em filosofias ancestrais, comprovadas pela ciência moderna, que são ao mesmo tempo uma prática formal e uma maneira de viver a vida. A mindfulness nos convida a trabalhar o controle respiratório, a atenção ao fluxo incessante de pensamentos, o gerenciamento emocional, o foco e a concentração. Essa técnica é estudada cientificamente há mais de 40 anos com extensa comprovação de seus efeitos. Pode ser considerada como um atributo da consciência, um estado de “qualidade da atenção”, que é capaz de promover o aprimoramento de nosso bem estar. Leia mais

Mindfulness vem da palavra sati, que em pali, a língua original dos ensinamentos budistas, significa consciência, atenção e recordação (Siegel, Germer & Olendzky, 2008). Dessa maneira, nesse estado de mindfulness, o indivíduo permanece atento, recordando-se sempre do objeto de sua atenção. As práticas de plena atenção são aquelas em que o sujeito se torna intencionalmente atento para as experiências internas e externas que ocorrem no presente momento, sem julgamento. Diversas pesquisas têm sido realizadas nessa área, sugerindo que as práticas de plena atenção trazem o sujeito para o estado de observador consciente de suas próprias percepções, ao invés de se deixar arrastar pelo turbilhão de emoções e pensamentos (Baer, 2003).

No ocidente, a prática mais conhecida de plena atenção, a meditação, começou a ser difundida com a vinda de instrutores orientais do hinduísmo e budismo, principalmente para os Estados Unidos e a Europa, desde o início do século XX.

As pesquisas científicas sobre seus efeitos começaram algumas décadas depois, porém, somente em 1970, com os estudos de Robert Keith Wallace sobre a Meditação Transcendental, é que as evidências de seus efeitos começaram a ter uma maior credibilidade no meio acadêmico. Este foi um dos primeiros pesquisadores ocidentais a descrever registros de eletroencefalograma, padrão metabólico, ritmicidade cardíaca e avaliação da pressão arterial durante a meditação conhecida como transcendental (Wallace, 1970).

Em 1979, foi criado no Ocidente um programa de meditação chamado Mindfulness-Based Stress Reduction (MBSR), ou Redução de Estresse baseada em Plena Atenção, voltado para a redução de estresse e dor crônica (Kabat-Zinn,1982). O diferencial desse programa é ter trazido para uma roupagem ocidental, práticas de Plena atenção utilizadas há séculos no Oriente. Esta prática tem sido objeto de pesquisas no mundo inteiro desde então (Kabat-Zinn, 2005).

As pesquisas nessa área sugerem que as intervenções baseadas em mindfulness, como é o caso de diversas práticas meditativas, trazem o sujeito para o estado de observador consciente de suas próprias percepções, e podem aumentar a habilidade de responder aos problemas e estados físicos e mentais problemáticos com um leque maior de opções, ao invés de reagir a eles de forma automática e ineficaz deixando-se arrastar pelo turbilhão de emoções e pensamentos (Ong et al., 2012; Baer, 2003).

Há evidências de que os treinamentos em meditação podem provocar mudanças na morfologia e função cerebral, particularmente em áreas relacionadas a atenção (Lazar et al., 2000; Kozasa et al., 2012) o que pode constituir um embasamento neurofisiológico para os efeitos benéficos desta prática. Em mulheres na pós-menopausa, há apenas um estudo que indicou melhora na qualidade de vida, desconforto associado a fogachos, stress e avaliação subjetiva de qualidade do sono, com uma intervenção baseada em mindfulness (Carmody et al, 2011). Tendo em mente que alguns estudos mostraram melhora da insônia após práticas meditativas, é possível que este distúrbio esteja relacionado a um menor nível de mindfulness nos insones em comparação aos não insones. Outros pesquisadores focalizaram seus estudos nos efeitos fisiológicos da meditação (Beary & Benson, 1974; Newberg & Iversen, 2003).

A meditação, do ponto de vista fisiológico, pode ser entendida como um estado alterado de consciência, no qual o organismo se encontra em estado hipometabólico, dominado na grande maioria das vezes pelo sistema nervoso autonômico parassimpático, estando ainda o indivíduo em vigília (Young & Taylor, 1998).

Do ponto de vista operacional, a meditação pode ser entendida como um procedimento que se utiliza de alguma técnica específica (claramente definida), envolvendo estado alterado de consciência, com relaxamento muscular em algum ponto do processo e relaxamento da lógica; é um estado necessariamente auto-induzido, utilizando um artifício de auto-focalização (Cardoso et al., 2004).